Você faz ideias de como conseguir financiamento para uma franquia? Esse é o problema de muitos empreendedores que desejam iniciar seu negócio próprio no segmento do franchising mas não possuem o capital para a empreitada.
Depois de analisar o mercado, decidir o quanto será necessário para iniciar o negócio e definir qual será a franquia em você vai investir, vem o maior desafio. Como conseguir financiamento para uma franquia e qual o processo de negociação para levantar este capital.
Segundo informações da Associação Brasileira de Franchising – ABF, as oportunidades de financiamento para abertura de franquias no Brasil se ampliaram. Atualmente é possível pedir uma linha de crédito tanto em instituições financeiras públicas como também privadas, mas é necessário como em qualquer outra transação bancária, muito cuidado no momento de contratação da operação de crédito.
Levantando financiamento para abrir uma franquia
Se você não possui todo o montante necessário para a abertura, tente primeiro financiar com o seu franqueador. Algumas marcas têm recursos destinados para financiar novas unidades, principalmente a taxa de franquia.
Caso seu franqueador não ofereça esta opção, é recomendável que você tente obter o capital de giro com algum membro da família ou amigo. Os juros serão consideravelmente mais baixos que nas instituições financeiras e as garantias podem ser mais bem negociadas.
Se esta possibilidade também não existir, você pode aproveitar as diversas linhas de crédito oferecidas por instituições públicas e privadas no Brasil.
Aonde e como conseguir financiamento para uma franquia
O Empreendedores Web fez um levantamento e lista aqui nove opções para quem deseja iniciar seu negócio e ainda não sabe como conseguir financiamento para uma franquia.
O Banco do Brasil possui um programa de financiamento especialmente voltado para franquias, o Proteger Urbano Empresarial, para quem deseja instalar ou modernizar uma franquia, pagando em até 72 vezes, o BB Giro Empresa Flex, que fornece capital de giro com prazo de até 36 meses para pagar, afiliação a Cielo, dentre outros produtos, além de ser possível financiar a Taxa de Franquia.
Para participar destes programas o franqueador precisa ser conveniado ao BB Franquia, caso contrário o franqueado não poderá lançar mão destes recursos.
O BNDES lançou uma linha de crédito que, segundo a empresa, possui melhores condições de taxas e prazos do mercado para quem precisa conseguir financiamento para uma franquia. A diferença é que no caso do BNDES quem deve pedir o financiamento é a franqueadora e não o franqueador.
Os valores, juros e prazos irão variar de acordo com a rede, e os pedidos podem ser feitos em bancos credenciados ao BNDES ou através de carta.
O programa de financiamento da Caixa Econômica destinado ao franchising oferece recursos para capital de giro, antecipação de receitas, financiamentos para investimentos, convênios, seguros e previdência. A partir da análise e aprovação do plano de negócios, elaborado em conjunto com a franqueadora, é possível obter financiamento para o investimento fixo e capital de giro associado necessário à implementação de sua unidade.
O valor máximo disponível para financiamento é de R$ 400 mil e o percentual máximo financiável pode variar de 30% a 60%, de acordo com a rede de franquia escolhida. A Taxa de Juros é de 5% mais a TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Atualmente, esta taxa está mantida em 5%.
Já se você é de São Paulo, o programa Desenvolve SP, do Governo do Estado de São Paulo, oferece dois planos, para Ampliação e Modernização, com prazo de até 60 meses, e também para Abertura, com até 36 meses. A taxa é de 0,57% ao mês, e permite financiar até 70% do valor dos itens financiáveis.
No site, é possível simular um financiamento na hora em uma ferramenta online.
Banco do Nordeste
O Banco do Nordeste oferece créditos para franqueadores e franqueados que atuam em todo o Nordeste, Norte de Minas Gerais e Espírito Santo. A Instituição permite financiar todas etapas do negócio, desde a implementação da empresa, taxa de franquia até os insumos.
O Banco Bradesco oferece praticamente todos os serviços de pessoas jurídicas para os interessados no segmento de franquias, como crédito para montagem da loja, aquisição de bens, modernização e expansão dos negócios, pagamentos, gestão de caixa, além de seguros, consórcios, cartões de crédito, dentre outras soluções.
O HSBC se orgulha de ser o primeiro branco privado no Brasil a oferecer uma política de financiamento exclusiva para franquias. O banco oferece linha de crédito específica para expansão da rede e prazo de até 42 meses para o pagamento, financiamento de até 60% do valor do projeto e libera o dinheiro diretamente na conta corrente do franqueado.
A maioria das soluções do HSBC Empresas também está disponíveis aos empresários do setor de franquias.
Com o Itaú, você pode financiar até 50% do investimento total, mas deve dar como garantia os recebíveis do negócio ou o próprio patrimônio. Além de empréstimos para a aquisição de franquias, equipamentos, estoque e fluxo de caixa, o banco oferece linhas de repasse do BNDES, que podem ser usadas tanto na instalação da nova unidade quanto para modernização, e o Compor Franquias, que ajuda a financiar os royalties ou produtos.
As taxas de juros variam conforme o relacionamento do cliente com o banco e as garantias oferecidas.
O Santander também oferece créditos, e promete benefícios como, acesso a produtos financeiros com condições especiais, taxas diferenciadas e exclusivas para a maquininha de cartões, porém não fornece taxas e condições, se reservando a avaliar o crédito sob medida, prometendo redução de custos através de descontos negociados.
O Banco também oferece empréstimos apenas a franquias que são suas parceiras.
Como você vê, se a sua dúvida era como conseguir financiamento para uma franquia, os caminhos estão ai. Portando, é apenas uma questão de decidir que franquia escolher e colocar a mão na massa.
Como conseguir Capital Inicial para investir em sua Franquia
Um dos maiores problemas dos empreendedores que querem começar seu próprio negócio é não ter um capital inicial para investimento. Este é o valor para começar o negocio que envolve gastos com aluguel do espaço, funcionários, compra dos diretos de usar a marca na sua franquia, compra de material para divulgação, dentre outros gastos que podem sair dos milhares para os milhões com bastante facilidade.
Se não há capital inicial guardado, como começar sua franquia? Existem formas de conseguir o valor para iniciar seu empreendimento seguro, com uma margem considerada razoável. Confira a seguir.
Empréstimos Bancários para Empreendedores
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Os empréstimos bancários costumam ser repelidos pelos juros altos. Muita gente nem considera buscar um empréstimo em um banco pelo alto valor dos juros. Mas nem sempre isso é verdadeiro, nem todo tipo de empréstimo é do tipo não pagável e você pode conseguir taxas baixas usando de alguns diferenciais. Os bancos costumam cobrar juros, às vezes alto, porque possuem tantas quantas formas de pagamento que você possa imaginar, então o importante é estudar uma forma que, no fim, não irá custar tanto que não compense.
Empréstimo para pessoa jurídica costuma ser mais em conta em juros e com melhores possibilidades de pagamento. Bancos possuem linhas de crédito bem amigáveis para micro empreendedor e com pagamentos a partir de 90 dias. A Caixa Econômica Federal, por exemplo, tem uma linha especial para quem deseja ser um franqueado, a Caixa Franquias, apenas para pessoa jurídica. O BNDES é uma ótima opção para pessoas jurídicas conseguirem seus empréstimos e começar sua franquia.
As regras, contudo, são as mesmas para qualquer empréstimo bancário. Não se pode estar no SPC/Serasa e nem dever ao próprio banco que estiver pedindo dinheiro. É preciso também ter um plano de negócios ou contrato da franquia para o banco avaliar se é viável emprestar o dinheiro e em quanto tempo ele irá retornar. Se for uma proposta muito boa de investimento, a instituição financeira pode liberar até mais do que você precisa.
Por isso é muito importante ter segurança no que vai fazer, então antes de ir negociar o empréstimo tenha em mãos todas as informações necessárias para seu negócio. Garanta que tenha feito um bom planejamento de custos e já calculado a média de tempo para retorno do capital. Quanto mais segurança você mostrar na hora de negociar o empréstimo, mais fácil será de consegui-lo.
Hipotecar um bem
O retorno com a modalidade franchising (mercado de franquias) é muito seguro e as chances de dar certo é muito alta, então por que não usar um imóvel como garantia para conseguir o dinheiro? Se você fizer tudo direitinho, terá seu capital de volta em um curto prazo (geralmente a partir de dois anos) e poderá pagar sua hipoteca, recuperando seu imóvel e ao final disso tudo estará à frente de uma fonte altamente lucrativa.
A hipoteca tem a vantagem de que seus juros, geralmente são mais baixos que os bancos, já que é um empréstimo com garantia. Se o banco sabe que pode ganhar algo se a divida não for paga e isso é uma certeza, é possível usar seu bem como garantia sem qualquer problema.
Recursos Próprios
Dependendo do valor da franquia, compensa investir em um negócio que dê altos lucros em prazos curtíssimos, mas que não tendem a durar muito, como a venda de camisas personalizadas ou manufaturas que você e seus familiares podem produzir. Você pode conseguir o dinheiro para abrir uma franquia vendendo alguns bens de casa ou ainda investindo em revenda de produtos baratos, como importados.
Possivelmente você pode conseguir altos ganhos vendendo móveis e eletroeletrônicos que não lhe farão tanta falta, sendo que em pouco tempo você terá sua fonte de renda melhorada e lucrativa ao ponto de comprar novamente o que tenha vendido com a vantagem de poder comprar produtos novos.
Consiga um sócio investidor
É muito comum de se ver pessoas com capital para investir, mas sem disponibilidade ou afinidade para tocar um negócio. Você pode encontrar um sócio investidor para dividir os custos e tarefas do empreendimento. Muitas franquias permitem a possibilidade de mais de dois sócios empreenderem o negócio, dependendo do ramo os ganhos são tão altos que mesmo dividindo entre cinco sócios ainda fica bom para todos.
Então como você pode ver, caro leitor, existe muitas formas para conseguir capital e dar início a seu negócio. Em pouco tempo você terá seu dinheiro retornado e a cada ano verá sua renda aumentar consideravelmente.
Veja o vídeo a baixo de uma reportagem a onde explica um pouco mais sobre como conseguir capital para abrir uma franquia:
Recebi uma mensagem muito interessante de um ouvinte da CBN e peço licença para lê-la na íntegra, porque ela nem precisa dos meus comentários.
Lá vai: “Prezado Max, meu nome é Sérgio, tenho 61 anos e pertenço a uma geração azarada: Quando era jovem as pessoas diziam para escutar os mais velhos, que eram mais sábios. Agora dizem que tenho que escutar os jovens, porque são mais inteligentes.
Na semana passada li numa revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. E eu aprendi muita coisa… Aprendi, por exemplo, que se eu tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, durante os últimos 40 anos, eu teria economizado R$ 30.000,00. Se eu tivesse deixado de comer uma pizza por mês, teria economizado R$ 12.000,00 e assim por diante. Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas, então descobri, para minha surpresa, que hoje eu poderia estar milionário.
Bastava não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas das viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei e, principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje eu poderia ter quase R$ 500.000,00 na conta bancária.
É claro que eu não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar com itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que eu quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso acho que me sinto absolutamente feliz em ser pobre.
Gastei meu dinheiro com prazer e por prazer, porque hoje, aos 61 anos, não tenho mais o mesmo pique de jovem, nem a mesma saúde{estou com artrite,artrose,colesterol alto, diabete e umas dores na coluna }. Portanto, viajar, comer pizzas e cafés, não faz bem na minha idade e roupas, hoje, não vão melhorar muito o meu visual!
Recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que eu fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com um monte de dinheiro em suas contas bancárias, mas sem ter vivido a vida”.
“Não eduque o seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz.
Assim, ele saberá o valor das coisas, não o seu preço.”
Gustavo Cerbasi, autor de livros sobre finanças pessoais, fala sobre o que considera os melhores investimentos
Gustavo Cerbasi é um guru das finanças pessoais. Seu maior best-seller, Casais Inteligentes Enriquecem Juntos, já vendeu mais de um milhão de exemplares e, segundo ele, já ajudou muita gente a evitar um desastre no relacionamento.
Sua trajetória pessoal e profissional lhe dá um bom gabarito para falar de dinheiro e oferecer conselhos sobre vida financeira. Formado em administração pela FGV, Cerbasi começou a carreira trabalhando na área de finanças e por muitos anos deu aulas sobre o assunto. Foi nessas aulas que ele descobriu a demanda por mais informações sobre finanças pessoais. Ele falava de empresas, mas os alunos queriam conselhos sobre suas próprias rotinas.
Quando começou a preparar a apostila para um novo curso, acabou dando aula para o dono de uma editora, que o convidou a escrever o primeiro livro: Dinheiro – Os segredos de quem tem.
Cerbasi vinha de um período de muito trabalho. Ele e a esposa, Adriana, ralaram dobrado para pagar o casamento que tanto queriam. A festa aconteceu em 2002. Após perceber que, com um esforço extra o dinheiro chegava, decidiram continuar no ritmo acelerado por mais um tempo. O cansaço bateu e, após a publicação do primeiro livro, os dois decidiram passar uns meses morando no Canadá.
Durante o sabático, Cerbasi trocou muitos emails com gente que lia seu livro e mandava dúvidas ou críticas. Muitas mensagens eram de pessoas que diziam não conseguir aplicar os conselhos porque maridos ou esposas não colaboravam. Aí nasceu a ideia do seu livro de maior sucesso. Ele se tornou escritor profissional e hoje dá palestras por todo o Brasil.
Ah, sim, nesse meio tempo ele conquistou o sonho do primeiro milhão. Aproveitou 2002, ano em que a bolsa estava muito desvalorizada, o mesmo de seu casamento, e aplicou em ações o dinheiro de um apartamento que haviam vendido e do seguro de um carro roubado. Em pouco mais de três anos, multiplicou o patrimônio.
Nesta entrevista, ele fala sobre investimentos, relacionamentos e aposentadoria. Mas também sobre qualidade de vida e como devemos valorizar o momento presente, sem deixar tudo para amanhã ou ano que vem.
Você diz que não quer estimular as pessoas a acumularem, mas sim encontrar um equilíbrio. O que significa esse equilíbrio pra você?
Eu dei consultoria entre 2002 e 2008. Nesse período, percebi que aquelas pessoas que se saíam muito bem e poupavam muito mais do que o recomendado, mais cedo ou mais tarde se arrependiam. Geralmente esse arrependimento estava ligado à perda de uma pessoa querida ou de uma oportunidade. Por exemplo, tudo que se queria era fazer uma viagem de 50 anos de casamento e de repente a pessoa amada morria. Aí a pessoa não só deixava de poupar como tendia a se desfazer muito rápido da sua poupança em resposta a uma frustração. O sentido da vida não estava no presente, mas no futuro.
Quando comecei a constatar casos assim, passei a valorizar ideia de que planejamento financeiro não é para o futuro, é para o presente. O futuro é consequência de um bom presente. É parecido com a minha ideia de educação dos filhos [ele tem três]: eu não estou nem um pouco preocupado com o futuro deles, estou preocupado com o presente, de ser um bom pai, de dar um bom exemplo, de dar uma boa educação. Porque crianças bem educadas vão se virar no futuro.
Eu batalho contra a ideia de tirar do presente e colocar no futuro. Quero que as pessoas vivam seu presente da melhor maneira, cuidando para que esse presente não falte no futuro. É quase a mesma coisa, né? Mas as escolhas que as pessoas fazem a partir dessa reflexão são diferentes. Veja, quando você pensa em presente bem vivido, não procura coisas supérfluas a serem cortadas. Valoriza o que te faz bem, que podem ser cuidados pessoais, lazer, curtir shows. As pessoas que pensam só em poupar para o futuro tendem a cortar o que é fácil. Mas quando você corta a manicure, o cafezinho e as viagens de férias fica, apesar de construir racionalmente um futuro, emocionalmente abalada.
É como se as pessoas quisessem viver em tempos de guerra hoje para quem sabe um dia viver muito bem?
Exatamente. A verdade é que ninguém é disciplinado para poupar. É algo que você constrói e a principal base da disciplina é a motivação. Se você quer se alimentar bem, tem que gostar do que come. Se você quer manter a disciplina da poupança, não pode sentir como se estivesse destruindo o presente. Porque aí, mesmo que racionalmente você queira poupar, emocionalmente seu cérebro começa a se defender. A pessoa que deixa de lado o que lhe dá prazer para organizar as contas vai se sentir ansiosa e frustrada. Precisamos ter válvulas de escape para a vida estressante que levamos. A vida burocrática, de acordar, comer, trabalhar e dormir só funciona na matemática. Você pode se cuidar. Isso às vezes falta para as pessoas que se organizam de uma maneira excessivamente racional.
Qual o segredo então?
A fórmula para uma vida mais rica é adotar uma vida mais simples em termos de custo para não perder em experiência e qualidade de vida. Em geral, a regra é simples: você tem um carro de R$ 60 mil, venda e compre um de R$ 40 mil. Tem casa de R$ 500 mil, compre ou alugue uma de R$ 400 mil. Quando você compra um carro mais barato vai economizar IPVA, seguro, não vai ficar com tanto medo de estacionar na rua… Às vezes, uma ou duas escolhas na sua vida trazem uma cadeia de redução de custos que vão facilitar muito a administração do orçamento. Por isso, prefiro morar numa casa um pouco menos confortável e sair dela no fim de semana do que pagar uma casa melhor e não ter lazer ou uma vida bem cuidada. Aí a conta fecha com uma facilidade incrível.
Quem dá dicas para guardar dinheiro geralmente fala na importância de ter objetivos. Você concorda?
Sim. A primeira coisa para poupar é ter certeza de que você não vai gastar mais do que ganha. O único jeito de ter essa certeza é ter certa flexibilidade no orçamento, porque imprevistos acontecem sempre. Só que o brasileiro – que tem o orçamento todo tomado por prestações, porque aprendemos a comprar a prazo e nos tornamos viciados nisso – vai ter muita dificuldade para lidar com imprevistos.
Em segundo lugar, sim, para poupar é necessário ter um rótulo para cada centavo. Vou poupar para quê? Você precisa de objetivos. Tem também outra lição importante que é “pague-se primeiro”. Guarde o dinheiro para os sonhos antes de qualquer coisa. Ou seja, quando o salário cair na sua conta, você já reserva x reais pra próxima viagem, y para a faculdade do filho. Coloque logo na poupança ou na aplicação que você achar melhor. Se no final do mês faltar dinheiro para pagar as contas do dia-a-dia, tome emprestado.
Isso faz sentido?
Você pode pensar: a aplicação rende 0,7% ao mês e o empréstimo me custa 3%, por que vou tomar emprestado? Porque a aplicação é por 10, 15 anos. O dinheiro emprestado, se você for consciente, vai lidar rapidamente com aquilo. Se for um valor alto, os juros serão o preço a pagar por uma falha de planejamento. Matematicamente, parece que estou indo pelo caminho errado, mas conscientemente é o preço que eu pago para garantir um sonho e garantir um sonho vai trazer mais motivação para me manter mais disciplinado. Pague-se primeiro é orientação poderosa. O empréstimo eventual, desde que seja para gerar renda, montar negócio ou preservar grandes sonhos eu acho razoável. Empréstimo pra consumo, esse sim é pecado.
As opções de investimento no Brasil têm crescido nos últimos anos. Existe o melhor investimento?
Não existe o melhor investimento. Eu preciso conhecer muito bem a pessoa que quer investir o dinheiro, porque para algumas pessoas até um título de capitalização vai ser melhor. A capitalização – que tem rendimento negativo – pode ser um bom negócio, porque às vezes a pessoa é motivada pela loteria. Ela quase ganhou um prêmio, aí mantém a aplicação por 12, 15 meses. Quando liquida o título já tem massa de recursos para começar a investir em um terreno, em uma carteira de ações, não importa. Ela criou a disciplina necessária para o primeiro impulso, que é o mais difícil. Mas para a maioria dos brasileiros, que tem conta-salário e não tem serviços financeiros na conta, a poupança ainda é o melhor investimento. Digo com tranquilidade que o melhor investimento para qualquer pessoa é aquele com o qual a pessoa se sinta bem aprendendo sobre ele. Porque se pesquisar com curiosidade vai descobrir as falhas de determinado produto, um banco que oferece algo melhor e vai migrar seu dinheiro para um investimento mais eficiente.
Imóvel é investimento? Qual a sua opinião sobre uma possível bolha imobiliária no Brasil?
Primeiro, essa ideia de que imóvel é algo muito importante de se ter no Brasil vem de uma história recente de grande valorização imobiliária, de um país que há poucas décadas era predominantemente rural e passou a ser predominantemente urbano. Todo mundo que comprou imóvel em meados do século passado viu esse imóvel se valorizar muito em função do crescimento das cidades. Hoje isso já não acontece.
Acho arriscada uma análise como a do Shiller [Nobel que previu a bolha dos Estados Unidos e afirmou que o Brasil passaria por situação parecida]. Concordo com a análise de que mercado brasileiro tem certa saturação, concordo que período pós-Copa tende a ter certo refreamento dos preços, mas não concordo que seja hora de vender ou que talvez não seja hora de comprar. Porque toda média é burra. Se eu falar que mercado brasileiro vai perder 5% do valor nos imóveis, muita gente que tem imóvel com potencial de valorização pode se desfazer dele. Pode acontecer uma calamidade, uma guerra no país, sempre haverá regiões com potencial de valorização. Se o mercado brasileiro perder 5% ou 8% ou 10% – e nada disso caracteriza bolha – mesmo assim há bairros recebendo novos metrôs, shoppings, cidades se expandindo em função de certo eixo comercial. Não posso perder o foco dessas oportunidades simplesmente porque não é hora de comprar.
O que você diria para alguém que está num dilema se compra ou não imóvel?
Pode comprar. Mas, principalmente para não se arrepender, estude o plano diretor da sua cidade. Escute dois ou três corretores de imóveis, preferencialmente não relacionados ao imóvel que você quer negociar. Entre no site do Secovi, que dá um mapa, uma projeção de evolução do metro quadrado nas grandes cidades pra entender as grandes tendências.
Seu grande bestseller foi o livro Casais Inteligentes Enriquecem Juntos. Ele completa 10 anos em 2014. Você acha que algo mudou em relação ao dinheiro na vida a dois? Por que dinheiro continua sendo uma das principais causas de separação?
Mudou. Quando ele foi escrito, eu dizia que casais não conversavam sobre dinheiro. Hoje já não posso falar isso. Todas as revistas, sites, canais de televisão que tratam de variedades falam também de dinheiro. Não é mais um tabu, só que os casais ainda não falam sobre isso. Hoje é mais uma questão de falta de tempo, correria da vida moderna. O pouco tempo que os casais têm para convívio eles não querem falar de dinheiro.
Acho que ainda há um problema em relação à idade média dos primeiros compradores de imóvel, que segundo o Secovi está em torno dos 31 anos de idade. Isso para mim é radicalmente contrário ao bom planejamento financeiro. Comprar casa própria muito cedo engessa as escolhas, em dois sentidos. Primeiro, quando você se fixa, mata oportunidades de trabalhar em outras cidades ou países. Além disso, quem assume prestações pesadas e inflexíveis por muito tempo geralmente assume menos riscos na carreira, riscos esses que trazem aumento de renda e novas experiências. Um jovem casal precisa ter consciência que enquanto não estiver satisfeito com o que se ganha – e nenhum jovem deveria estar – flexibilidade é elemento chave pra você crescer. O aluguel é um parceiro importantíssimo dessa flexibilidade. Quando você assume um estilo de vida inflexível começa a ser pressionado para manter aquele estilo de vida. Faz com que a carreira estacione.
Então os recém-casados não precisam necessariamente ter uma casa própria?
Eu acho que eles necessariamente não devem comprar casa própria. Caso queiram comprar, devem tratar o imóvel como investimento e não casa própria, que você quebra parede e instala cozinha americana. Por exemplo, você acabou de casar, viu uma oportunidade com um alto potencial de valorização e saiu do aluguel por causa disso, ótimo. Mas não instale móveis planejados ali e prepare-se para a mudança. A partir do momento que aquele imóvel valorizar, é hora de vender e partir para o próximo. Mais perto dos 40 anos, a renda é maior, você acumulou FGTS e pode entrar no financiamento para quitar o imóvel em 10 anos, ao invés de ficar 30 anos pagando. Meu convite é para os que jovens diminuam o gasto fixo, continuem aproveitando o que motivou o casamento, como romantismo, lazer, cuidado de um com o outro, e experimentem a vida para criar condições de ganho.
Quais são os principais erros que os casais cometem?
O primeiro é não conversar. Quando você conversa, um entende melhor as ambições do outro. O segundo é se esforçar demais para prestar contas para a sociedade, que significa ostentar um estilo de vida incompatível com o casal. Conversar pouco e mobilizar demais o orçamento são os principais. Mas há outros. Por exemplo, se preocupar demais com a rotina do casamento e não os sonhos futuros. Ou se preocupar com o sonho de um só. Num relacionamento, um mais um dá três. É preciso realizar os sonhos dele, os dela e os típicos de casal. Podem demorar mais para acontecer, mas a motivação é maior.
E quando uma das partes ganha muito mais que a outra? Existe alguma dica de como lidar com isso?
A melhor solução no meu entender é única. Não existe dinheiro meu e dinheiro dela. Ambos se esforçam para que se maximize o que casal pode fazer em termos de realização. Se há uma situação em que um ganha mais, o que ganha menos deve chamar para si responsabilidade de dar suporte para aquela carreira que está sendo mais interessante nesse momento. Mas deve-se discutir continuamente a possibilidade de inverter esse papel. Profissões que remuneram muito bem geralmente desgastam mais a pessoa. E a pessoa que ganha mais e está recebendo esse suporte precisa ouvir o outro e continuamente questionar se há felicidade, realização.
Você pode falar um pouco sobre o seu próximo livro?
No Adeus, Aposentadoria, eu contesto uma lógica maluca que as pessoas estão seguindo para o fim da carreira, que é excessivamente sacrificante, mas chega num resultado que não é gratificante. Proponho uma mudança de modelo: não se aposentar mais. Como? Entre outras coisas, moldando uma carreira para que você possa trabalhar até os 80, 90 anos de idade. Que chegue um momento em que você se aposenta pela formalidade do termo, dá entrada no INSS, mas aí muda sua maneira de ganhar dinheiro fazendo algo que te apaixone. Para muita gente, carreira é sinônimo de começo, meio e fim, o fim sendo aposentadoria. Eu encaro a aposentadoria como o começo da melhor fase do dinheiro na vida das pessoas, desde que as pessoas se preparem pra isso.
O trabalho às vezes é visto como um fardo. Você defende que viver bem é gostar do que se faz? Até certo ponto. Porque principalmente os jovens não podem confundir a ideia de fazer o que se gosta com a ideia de sempre fazer o que se gosta. Se eu quero chegar a um ponto em que eu faço o que gosto, eu tenho que entrar na situação de fazer o que eu não gosto, que é o começo de qualquer carreira. Num segundo momento, você vai conseguirfazer escolhas. E essas escolhas não são para a vida toda. Estar empregado é uma oportunidade de reservar parte do que se ganha e lá na frente ter o próprio dinheiro para, na aposentadoria da carreira, trabalhar para si mesmo. Seja comoempreendedor ou investidor. O tempo de trabalho é um tempo de aprendizado para o empreendedorismo. E, para mim, empreendedorismo não é necessariamente abrir um negócio. Você pode ter uma atitude empreendedora com dois ou três imóveis que já comprou estudando a hora certa de comprar, vender ou alugar.
O que toda Empresa de Prestação de Serviço precisa saber sobre Impostos
É importante que o empreendedor conheça aspectos da tributação para manter o controle da empresa e evitar a terceirização desnecessária a contadores ou consultores fiscais.
O setor empresarial com maior número de empresas registradas no país é o setor de prestação de serviços. Segundo o IBGE, são mais de 920 mil empresas no total, o que demonstra a importância desse setor para o desenvolvimento da economia.
Em regra, as empresas prestadoras de serviços estão sujeitas ao recolhimento dos seguintes tributos: (i) PIS, (ii) COFINS, (iii) IRPJ, (iv) CSLL, (v) contribuições previdenciárias, (vi) ICMS (sobre atividade de transporte intermunicipal e telecomunicações) e, obviamente, (vii) ISS.
O ISS é o imposto típico das empresas prestadoras de serviços. Ele incide sobre os serviços listados na Lei Complementar nº 116, de 2003. Suas alíquotas podem variar entre 2% e 5%, a depender do tipo de serviço e do município em que a empresa estiver estabelecida ou prestar o serviço. Alguns municípios cobram o ISS com base no regime de caixa (à medida do recebimento da receita); outros, sob o regime de competência (à medida da realização do faturamento).
Na maioria dos casos, o ISS é devido ao município em que estiver efetivamente¹ situado o estabelecimento prestador. Entretanto, em relação a determinados tipos de serviço, o ISS será devido ao município em que for prestado, a exemplo dos serviços de construção, limpeza, varrição etc.
Há casos em que a prestação do serviço também envolve o fornecimento de mercadorias. Tratam-se das chamadas “operações mistas”, em que podem surgir dúvidas sobre a incidência do ISS, do ICMS ou de ambos. Para não ter dúvidas, basta seguir o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo indicado:
O critério adotado por esta Corte para definir os limites entre os campos de competência tributária de Estados e Municípios relativamente ao ICMS e ISSQN, seguindo orientação traçada no Supremo Tribunal Federal, é o de que nas operações mistas há que se verificar a atividade da empresa, se esta estiver sujeita à lista do ISSQN o imposto a ser pago é o ISSQN, inclusive sobre as mercadorias envolvidas, com a exclusão do ICMS sobre elas, a não ser que conste expressamente da lista a exceção. (Processo nº 1.168.488/SP)
Por fim, em relação aos serviços contratados mediante cessão de mão-de-obra ou empreitada (construção civil, zeladoria, vigilância, coleta de lixo, montagem, portaria, dedetização, entre outros), normalmente, é necessário observar a regra de retenção na fonte do ISS devido. Nesses casos, a empresa prestadora do serviço deverá emitir uma nota fiscal com o destaque do imposto devido, que será deduzido do valor a receber. Em contrapartida, o contratante do serviço irá recolher o valor do ISS aos cofres do Município e pagar o valor líquido à empresa contratada.
Os pontos acima não esgotam o tema, mas certamente servem para nortear uma primeira aproximação do problema, que não deve ser simplesmente terceirizado pelo empreendedor ao seu contador ou consultor fiscal.
¹ Para que fique configurada a existência de um estabelecimento sujeito à incidência do ISS, em um determinado município, é necessário que esse estabelecimento reúna condições econômicas e profissionais para a prestação do respectivo serviço. Não se enquadram nessa condição os chamados “escritórios virtuais”, que muitas vezes são locados em municípios vizinhos às grandes metrópoles (nos quais o ISS é exigido a alíquotas inferiores), com o mero intuito de simular a prestação de serviços nesse local. Essa prática, além de não ser suficiente para afastar a cobrança do ISS pelo município no qual a empresa estava efetivamente estabelecida, pode configurar a prática de crime.
Dicas para o profissional liberal pagar menos impostos – Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples Nacional, qual é a melhor opção?
Administrar uma empresa, seja qual for o seu tamanho ou estrutura, não é das tarefas mais simples. Além da busca de clientes sempre e das decisões cotidianas, o profissional precisa estar atualizado das questões de tributação financeira. Para quem quer regularizar a sua empresa, ou seja, estar dentro da lei com o governo e consequentemente pagar menos impostos, segue abaixo algumas dicas:
1. Contrate uma consultoria contábil para auxiliar desde a abertura da sua empresa, mas atente-se aos seus serviços, não apenas aos valores. Preço é importante, mas não adianta pagar um preço baixo e não ter segurança. Para não cair em armadilhas, solicite indicações de conhecidos e avalie as reais condições da consultoria.
Uma dica que costumo dar é sempre que possível procurar tratar estes assuntos pessoalmente, de preferência na sede da empresa. Além de ser uma forma de expor melhor os seus objetivos enquanto contratante, também é uma maneira de ver o atendimento e como a empresa se relaciona com seus clientes.
2. Ao contratar a abertura da empresa, não se esqueça de incluir a análise da opção tributária (Lucro Real, Lucro Presumido ou Simples). Esta opção valerá para o ano todo e determinará o quanto de impostos a sua empresa pagará. Invista um pequeno tempo para debater o assunto, pois certamente terá um ganho quando fizer a escolha certa.
3. Não aceite arranjos que possam causar transtornos no futuro, como por exemplo, abrir uma empresa com atividade diferente do que de fato você faz para optar pelo simples. Isso poderá lhe render uma grande dor de cabeça e prejuízo financeiro no futuro.
4. Quando a atividade exercida for impeditiva de opção pelo regime do simples, é provável que a opção seja o Lucro Presumido. Deve-se considerar que estamos tratando de uma atividade que normalmente tem uma margem de lucro alta, pois a maior parte dos profissionais liberais não necessita de estrutura física, e sua cadeia de despesas está muito relacionada ao seu esforço na realização do serviço que ele mesmo realiza.
5. Exija da sua consultoria contábil a entrega do balancete mensal. Este detalhe faz toda a diferença, pois além de ser um registro obrigatório para toda e qualquer empresa, será através dele que serão validados os resultados contábeis e as destinações.
6. Não confunda o dinheiro da empresa com o dinheiro da sua carteira. É preciso saber separar!
7. Estabeleça a sua remuneração de forma criteriosa. Lembre-se que você deve manter um pró-labore (remuneração pelo trabalho do sócio), que será a base para o pagamento da contribuição providenciaria (11% descontado do sócio). Além disso, a empresa terá o encargo de 20% de INSS e fará o desconto do imposto de renda pessoa física (sócio) quando o pró-labore for superior a R$ 1.787,77 (de acordo com a atual tabela vigente).
8. Para obter o melhor resultado (pagar menos imposto dentro da lei), faça a distribuição de lucros, mas atente-se para fazer com base no resultado apurado na escrituração (balancete/balanço). Dessa forma, será possível a realização das transferências dos valores apurados para sua conta corrente (pessoa física) sem o pagamento de impostos, pois a distribuição de lucro é um rendimento isento e não tributável.
9. Uma forma de ganhar um prazo maior para pagar os impostos federais é optar pelo reconhecimento das receitas através do regime de caixa. Este se dá somente quando recebe-se pelos serviços prestados e não pela emissão da nota fiscal.
10. Solicite periodicamente o controle das certidões e também da situação fiscal da sua empresa. Com o certificado digital é possível ter acesso de forma prática. A empresa contratada poderá atender este requisito de forma mais pontual.
11. Ao final de cada ano, solicite uma análise comparativa da tributação paga por sua empresa em relação às opções permitidas, desta forma você terá informações para, se for o caso, mudar no tempo certo. Solicite também a confirmação da entrega de todas as obrigações da sua empresa, evitando-se o risco de prejuízos e problemas no futuro.
Seguindo essas dicas, com certeza, a sua empresa crescerá e você poderá ficar tranquilo em relação a suas obrigações fiscais com o governo. Pense nisso!
Vanildo Veras é diretor de Inteligência Fiscal da Datanil – empresa especializada em consultoria contábil, tributária e trabalhista.